sábado, 3 de outubro de 2009

"Virgindade continua tabu" (Minha 1ª matéria publicada) Carla Fischer

Falar de virgindade hoje pode até parecer banalidade dado a avalanche de mídias sobre o assunto. Entretanto continua sendo delicado. Causa polêmica e ainda é tabu, sim. A cobrança de amigas, a pressão dos namorados, a falta de informação e, principalmente, a ausência de diálogo com os pais complicam ainda mais a cabeça das jovens.
Perder a virgindade não deve ser uma banalidade. É um momento de mudanças na vida da mulher. O importante é buscar informação para que quando ocorra seja da forma correta, saudável e com segurança.

A assistente social e gerontologa Luciléa Santos, de 46 anos diz que com o avanço da tecnologia e o processo da globalização, os valores da família e sociedade mudaram. A mulher passou a ter mais autonomia sobre seu corpo e sua história. “O valor da virgindade decorre pelo processo sócio-histórico e cultural da evolução humana. Quando as famílias tinham orgulho em dizer: Milha filha é virgem! Hoje em dia, ainda existem famílias que cultivam esse valor social e histórico em plena sociedade contemporânea, devido a questão social da virgindade ser constituída em moralidade para alguns e libertação para outros”.


Não é novidade para ninguém que a maioria das jovens tem dificuldades de conversar sobre o assunto. Existe, ainda hoje, famílias em que assuntos relacionados à sexualidade são tratados de maneira inadequada ou pouco se fala do tema, isso quando não se fala nada. Nesta guerra de informação, muitas procuram conselhos de amigas ou conhecidos. Agora por que, em pleno século XXI, virgindade continua causando tanta polêmica?

Segundo a psicóloga Ingrid Figueiredo de 26 anos, a virgindade é um valor, e como tal, se torna fruto de uma construção social. Não há uma indicação orgânica que defina idade ideal de se ter a primeira relação sexual. Sendo um valor, se constitui como um significante do campo simbólico, passível de ter diversos sentidos. “A virgindade ainda está muito atrelada à voz religiosa e familiar. Não se pode perder de vista que se trata de uma escolha. A questão da sexualidade ainda é um tabu e muitos pais têm um bloqueio em falar sobre o assunto com seus filhos, o que muitas vezes leva a uma gravidez indesejada e a contaminação por algumas doenças sexualmente transmissível”.

A psicóloga também explica que é necessário se atrelar o sentimento à razão, o que nem sempre acontece, mas seria o mais próximo que se pode esperar para essa situação que se constitui como um “rito de passagem” para toda mulher. A polêmica envolve todos estes âmbitos, os posicionamentos a cerca do tema da virgindade são múltiplos, até porque a sociedade atual permite essa multiplicidade.


O conceito 'virgindade' foi construído em critérios socioculturais em que pesam educação, religião, grupo social. Na maioria deles, se valoriza a preservação da virgindade antes do casamento.

Quando se fala de virgindade há uma infinidade de erros históricos e culturais. Mas eles foram reforçados a partir dos séculos quando a igreja católica no ano de 391 defende a Virgindade de Maria como perpétua, contra algumas vozes que se levantavam na época contra. Os cristãos católicos, protestantes e ortodoxos crêem que Maria era virgem quando deu à luz Jesus.

O historiador Rudy Souza, diz que a igreja sempre possuiu uma grande influência sobre o Estado, pois ela sempre teve poder sobre o povo, até hoje na história contemporânea ela prega normas que influencia na imagem da população. “A virgindade é uma questão passada de geração em geração imposta pela igreja e que já virou cultural. É uma pregação da igreja que se mantém dos dogmas, e um deles é preservar e simbolizar a Virgem Maria para incentivar as jovens a conservar a idéia de virgindade apenas após o casamento, incluindo a questão do pudor, de se guardar”.

A igreja entedia que a mulher deveria ser vista como um sentimento superior e sagrado, no qual o sexo deveria ser praticado por ela apenas com a finalidade de produção. O tempo passou e à mulher se colou a imagem de que sempre deveria fazer sexo como um ato sagrado. Já para o homem esse parâmetro foi traçado de uma maneira bem diferente, como se o sexo fosse sua obrigação comum. Isso acabou gerando alguns preconceitos contra mulheres que pensam de maneira totalmente diferente, num mundo onde os direitos são iguais.

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Confiram a matéria completa no Jornal O Liberal Caderno Mulher (04/10 - Dom.)

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